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Não subestime as formigas

Só por que não são nojentas como baratas nem chatas como pernilongos não significa que sejam inofensivas. Elas podem transmitir doenças e danificar aparelhos eletrônicos
Divulgação: Shutterstock
Há 1.100 espécies de formigas, 200 no Brasil. As classificadas como pragas urbanas, no entanto, são cerca de 30
Há 1.100 espécies de formigas, 200 no Brasil. As classificadas como pragas urbanas, no entanto, são cerca de 30
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  • Há 1.100 espécies de formigas, 200 no Brasil. As classificadas como pragas urbanas, no entanto, são cerca de 30
  • Como geralmente as formigas é que devoram outros insetos mortos, elas podem se contaminar e contaminar outros ambientes
  • Elas são atraídas geralmente açúcar e alimentos adocicados, mas gostam também de gordura animal e frutas
  • Quando fazem ninhos em aparelhos de som, as formigas podem danificá-los e gerar curtos-circuitos
  • Algumas dessas pragas mantêm uma rede de formigueiros ligados ao ninho central. Como essas tocas se espalham por vários lugares, nem sempre é fácil localizar o principal
  • Apenas entre 10% e 20% das formigas saem da toca para procurar alimento. Portanto, se vir algumas passeando pela casa, fique atento: podem estar levando comida para uma colônia maior

Formigas não azucrinam tanto quanto os pernilongos, não são tão asquerosas como as baratas nem tão impertinentes como as moscas. Talvez por isso sejam vistas como incômodo só quando invadem o açucareiro, tomam de assalto o bolo do dia anterior ou devastam o jardim. Errado: não as subestime. “Elas são preocupantes, sim. Transmitem bactérias e fungos que carregam nas patas”, avisa o biólogo Dawidson Cézar Pereira, especialista em insetos e vigilância sanitária da Ecológica Dedetizadora.

Existem cerca de 1.100 espécies desse inseto, por volta de 200 no Brasil. As que são consideradas pragas urbanas, no entanto, não são mais que 30, segundo o biólogo Francisco Zorzenon, do Instituto Biológico de São Paulo. Nos centros de saúde, “elas carregam bactérias, contribuindo para as infecções hospitalares”, escreveu Zorzenon num artigo para a revista do instituto. Em casas e empresas, “podem ocorrer dentro de aparelhos eletrônicos, causando danos aos circuitos”. Além disso, alguns exemplares têm ferrão e picam – a picada da lava-pés, por exemplo, pode gerar desde pequena coceira até choque anafilático em pessoas alérgicas.

Se uma barata morre, por exemplo, em geral quem aproveita seus restos são as formigas. “Se barata já é transmissora de patógenos, micro-organismos nocivos à saúde, a formiga também vai se contaminar e contaminar os outros ao passar em cima do doce, da criança, do cachorro…”, diz Pereira.

Esses insetos são atraídos geralmente por carboidrato e açúcar – amontoam-se em torno de produtos adocicados, gordura animal, frutas e até urina de diabéticos. Fazem ninhos com vários buracos e passagens, geralmente no solo, mas também em madeira, armários, atrás de azulejos e batentes de porta, dentro de aparelhos eletrônicos e abaixo de pisos. “Muitas das espécies urbanas formam ninhos satélites, semelhantes a apêndices ligados ao ninho principal. Estes ninhos podem distribuir-se por locais distintos, dificultando a localização do ninho principal, onde estão encontradas as rainhas”, aponta Zorzedon no artigo mencionado.

Como apenas 10% a 20% dos indivíduos saem do formigueiro à procura de alimento, se você encontrar esses insetos passeando pela casa, é melhor agir logo, recomenda Pereira. Se não tomar medida alguma, os que buscaram comida vão levá-la ao ninho e reforçar a população.

Para evitar que elas apareçam, é preciso fazer limpeza periódica, de preferência com detergente e produtos clorados. Há várias formas de combate ecologicamente corretas. A água quente, por exemplo, é útil para matar as formigas de grama. “Jogue no montículo de terra. As formigas são formadas por quitina, uma substância gordurosa que é quebrada pela água quente. Quando isso acontece, morrem desidratadas”, explica Pereira.

O detergente tem a mesma função de “quebrar” a gordura. Se achar uma toca nas frestas dos azulejos, por exemplo, injete detergente neutro com uma seringa. Outros produtos que podem ser usados são bicarbonato de sódio, água sanitária e ácido bórico (comprado em drograrias). As empresas de dedetização geralmente usam isca à base de gel. São substâncias que podem ser levadas pelas formigas para dentro dos ninhos e distribuídas inclusive para as rainhas.

 

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