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DECORAÇÃO E ESTILO

Estilo colecionável

Por mania ou paixão uma coleção pode ir crescendo, crescendo... até invadir a casa inteira. Aí não tem jeito, a não ser aproveitá-la na decoração
Divulgação: Michel Rost/Arquivo Pessoal
A coleção de Michel Rost começa já na entrada de seu apartamento, que tem a decoração totalmente baseada na Fórmula 1. O pneu que serve como lustre é da Williams usada pelo piloto Nigel Mansell em 1992
A coleção de Michel Rost começa já na entrada de seu apartamento, que tem a decoração totalmente baseada na Fórmula 1. O pneu que serve como lustre é da Williams usada pelo piloto Nigel Mansell em 1992
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  • A coleção de Michel Rost começa já na entrada de seu apartamento, que tem a decoração totalmente baseada na Fórmula 1. O pneu que serve como lustre é da Williams usada pelo piloto Nigel Mansell em 1992
  • Na parede, a asa traseira de uma Lotus 79 faz as vezes de quadro. À esquerda, um modelo em escala 1:8 do mesmo modelo, um dos mais bonitos da F1. Ao fundo, a mesa com tampo de vidro, que serve como vitrine para as réplicas
  • Tapete e cortina quadriculados, como na bandeira de chegada. A roda dianteira do carro da equipe Arrows, além de lustre, virou também mesinha de centro
  • A televisão para assistir aos GPs fica encaixada na prateleira com os modelos. Detalhe: até os puxadores do armário trazem o quadriculado da bandeira
  • Ao lado das prateleiras de modelos da equipe McLaren, macacão e capacete originais de Nelson Piquet, piloto preferido de Rost, que motivou toda essa loucura por Fórmula 1
  • Carros da equipes Lotus e Brabham construídos em escala 1:20 pelo próprio Rost
  • Modelos de McLaren. Em primeiro plano, o modelo usado pelo piloto James Hunt, no final do anos 70
  • Modelos de McLaren. Em primeiro plano, o modelo do piloto John Watson, usado no final da década de 70 e começo dos anos 80
  • Michel Rost e seus kits desmontados. Ao todo, são mais 1.400, e só metade está montada
  • O colecionador distribui itens quadriculados até na cozinha. Chão, toalha, armários, micro-ondas — tudo obedece ao preto e branco das bandeiras de chegada
  • O bico de um carro da equipe Benetton virou suporte para luminária no apartamento de Michel Rost
  • O lustre é um pneu do carro da equipe Sauber, usado em 2001 por Kimi Raikkonen
  • Como enfeite de teto, pastilhas em branco e preto e a roda dianteira de um carro da equipe Aguri
  • O cômodo originalmente reservado para quarto de empregada virou biblioteca e abriga parte dos livros de Michel Rost sobre F1
  • Detalhe da entrada do apartamento do empresário Michel Rost, louco por Fórmula 1
  • Tirando o colorido das réplicas, no apartamento todo o branco e preto dos quadriculados domina. Michel começou a coleção há mais de 30 anos e demorou nove anos e três reformas para fazer de seu apê o santuário que é hoje
  • O edredom, assim como os tecidos usados na casa, é o clássico quadriculado da bandeira de chegada
  • Até a persiana virou pôster de seu piloto favorito, Nelson Piquet, correndo por sua equipe favorita, a Brabham, no GP de Mônaco de 1980
  • A arquiteta Dorys Daher fez esta prateleira para seus pinguins e colou alguns de seus exemplares na parede “olhando” para a coleção. A ideia é que eles saiam ao universo bidimensional e ganhem vida, junto com seus “amigos”
  • Detalhe da coleção de Dorys Daher: a geladeirinha amarela de cerâmica ao fundo tem um pequeno pinguim no topo, embutido na peça
  • Segundo a colecionadora, cada pinguim tem uma característica pessoal: uns são mais simpáticos, outros mais elegantes e há até aqueles mais barrigudinhos
  • Este é o pinguim pescador, um dos preferidos da arquiteta. É o único modelo repetido da coleção
  • Coleção de garrafas de cerveja que João Paulo Andrade começou com o irmão, há mais de um ano
  • Já são mais de 70 garrafas que tem um lugar só para elas na casa de campo da família em Gravatá, Pernambuco

De grão em grão… As coleções são um típico caso em que vale o velho ditado. Começam com uma peça e aos poucos vão se encorpando. Até que chega uma hora em que, já volumosas, é preciso decidir o que fazer com elas. Muitas exigem que os objetos fiquem bem guardados, como os selos, que repousam em pastas com divisórias individuais, dentro de armários à prova de intempéries. Há até coleções particulares tão completas que se transformam em museu, como aconteceu com o Museu dos Ramones, em Berlim. Outras não só se integram ao apartamento ou à casa como ditam como será a decoração da sala, do quarto ou até mesmo de todo o imóvel. E os artigos são os mais variados possíveis — a preferência por juntar vários itens vai desde as clássicas latinhas e garrafas de cerveja até os engraçados pinguins.

É o caso da arquiteta Dorys Daher, que começou a colecionar pinguins por conta de um espetáculo musical chamado “Pode ser cafona, mas é tão bonitinho…” No final de cada show, a artista presenteava alguém da plateia com um pinguim de cerâmica, típica imagem da fofurice cafona, e separava um para levar para casa. Após 18 anos de espetáculo com vários brindes e muitos presentes com a ave preta e branca, a arquiteta teve de separar uma prateleira só para eles — além, claro, do topo da geladeira, que também é dominado pelos cafoninhas.

Se para ser um ambiente aconchegante a casa tem de ter a cara do dono, decorá-la com coleções parece ser o caminho mais seguro para deixá-la cheia de personalidade. O administrador João Paulo Andrade iniciou há pouco mais de um ano uma coleção de garrafas de cerveja com o irmão Thiago. A ideia surgiu quando a família estava construindo uma casa de campo em Gravatá (Pernambuco). Hoje, são mais de 70 garrafas de cerveja em prateleiras especialmente desenhadas para elas, em uma das paredes da sala da casa.

Não foi a primeira vez em que a família tomou gosto por acumular quinquilharias. O próprio João Paulo já colecionara latinhas de cerveja quando era criança, mas desistiu por conta da ferrugem e das constantes quedas: “As latinhas ficam vazias, era mais difícil de arrumar e elas viviam caindo por serem muito leves”. Por isso decidiu agora apostar nas garrafas, e cheias de cerveja. A mais exótica veio de Londres mais é chinesa e a maioria, assim como a preferência nacional, é do tipo pilsen.

Ele tem também uma coleção de elefantes de cerâmica — diz a crença popular que, o animal, quando posicionado de costas para a porta de entrada da casa, traz boa sorte aos moradores. A mãe de João Paulo e Thiago, Tereza, foi quem incentivou a coleção de garrafas, e também tem seu hobby: reúne papais-noéis que só saem do armário no Natal, como tem que ser.

Outro clássico das coleções são os carrinhos. Mas nada de brincar com os de Michel Rost e Luiz Alberto Pandini, eles mal saem da caixa. Jornalista, Pandini começou seu hobby com miniaturas de Porsche. Como faz assessoria de imprensa da marca, recebia alguns modelos. Atualmente, tem entre 50 e 80 carrinhos de escala 1:43 e outros poucos de escala 1:18. “Não chega a ser uma coleção, não tenho uma lista de desejos. Se eu vejo, gosto e acho o preço ok, eu compro. Mas não é qualquer carrinho, prefiro os modelos da Porsche, alguns da F1 e alguns da Indy usados na década de 90”, explica. Seu filho, Gabriel, só pode brincar com os carrinhos sob supervisão paterna. E bem rapidinho. “Ele já entendeu que não é brinquedo. Tem peças pequenas e se quebrar, já era”. O jeito foi Gabriel investir em sua própria coleção, de carrinhos Hot Wheels — já tem de 200 a 300 modelos.

Rost, empresário e corretor, tem uma história de amor com a Fórmula 1. Já que não pôde ser piloto, alimenta sua paixão gravando todas as corridas desde a década de 70 e foi a todos o Grandes Prêmios do Brasil entre 1980 e 1991. Quando está fora do Brasil, sempre dá um jeitinho de ver algum Grande Prêmio, chegou até a arrumar emprego em uma equipe alemã só para poder ver as corridas bem de perto, da área dos boxes.

Demorou nove anos para decorar seu apartamento com base na F-1. Os lustres são pneus ou rodas de carros de verdade; algumas rodas viraram mesa de centro. O bico de um carro McLaren foi usado como um quadro, no hall de entrada, e a asa traseira de uma Lotus foi para a parede da sala de jantar. A ponta de um Benetton serve como arandela do quarto. E o quadriculado da bandeira de chegada está espalhado por almofadas, edredons e tapetes.

O apartamento foi pensado todo em branco e preto, para combinar com a tal bandeira. Os mais de 1.400 kits para montar, réplicas fieis das máquinas, é ele mesmo quem faz, em escala 1:20. Cada um deles custa cerca de R$ 300. Rost prefere nem calcular quanto gastou para transformar sua casa num templo da F1. Para adquirir parte dos acessórios que hoje compõem a decoração, circulava pelos boxes pedindo peças soltas. Também contou com a ajuda de leilões virtuais na Suécia e na Espanha. “Para o colecionador, a internet é uma porta aberta para o mundo”, agradece.

 

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