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Lição de casa

Quer dicas de como tornar seu imóvel mais ecológico? Aprenda com o projeto que a arquiteta Consuelo Jorge implantou em sua própria residência, em São Paulo
Divulgação: Consuelo Jorge/Arquivo pessoal
Para resfriar o interior da casa, a arquiteta Consuelo Jorge e seu marido desenvolveram um ar-condicionado ecológico. O ar que passa pela cascata é purificado e resfriado
Para resfriar o interior da casa, a arquiteta Consuelo Jorge e seu marido desenvolveram um ar-condicionado ecológico. O ar que passa pela cascata é purificado e resfriado
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  • Para resfriar o interior da casa, a arquiteta Consuelo Jorge e seu marido desenvolveram um ar-condicionado ecológico. O ar que passa pela cascata é purificado e resfriado
  • O ar frio que entra na câmara que envolve a lareira é aquecido pelo calor da chaminé e devolvido à casa, aquecendo o ambiente
  • A água usada nos chuveiros, nas pias de lavabos e na máquina de lavar é conduzida para caixas sob o deque, onde é filtrada, clorada e desinfetada para ser reutilizada em vasos sanitários
  • Para aproveitar a água da chuva, Consuelo e seu marido – o engenheiro Sérgio Cordeiro – tiveram que resolver o problema da água ácida que chega nos primeiros minutos e carrega impurezas sólidas
  • A disposição das janelas e das portas foi escolhida de modo a manter a temperatura agradável no interior da casa e facilitar a circulação do ar
  • A casa tem os ambientes integrados para luz e ar circularem. Apenas o quarto do casal e da filha possuem divisórias privativas
  • A passarela de vidro integra dois ambientes da casa: o bloco onde fica o quarto do casal e da filha, e o bloco do quarto de dois andares do enteado de Consuelo
  • O telhado é curvo possui para imitar a cobertura de uma fábrica, atendendo ao desejo de Sérgio Cordeiro, marido de Consuelo, que desejava uma residência que não parecesse uma casa convencional
  • A parede de escalada, de 9 metros, foi construída na garagem
  • Dentro da parede que envolve a lareira foi desenvolvido o aquecedor da casa. Ele aproveita o calor da chaminé para esquentar o ar que corre por dentro de sua câmara
  • Vista da entrada da casa de Consuelo. As luminárias do jardim se alimentam da luz solar durante o dia para produzir a energia elétrica que as manterá acesas durante a noite
  • O imóvel foi construído sobre estruturas metálicas, que evitam o desperdício de material e dão mais agilidade à obra

Foram necessários dois anos de pesquisa e nove meses de obras até que a arquiteta Consuelo Jorge fizesse sua casa do jeito que mais agravada a ela, à família — e ao meio ambiente. Sua residência no Campo Belo, bairro no centro-sul de São Paulo, é conhecida por pesquisadores e adeptos da arquitetura sustentável e chegou a ser visitada pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas da USP.

As ideias vieram de projetos do mundo inteiro e foram adaptadas por Consuelo e seu marido, o engenheiro Sérgio Cordeiro, para o terreno e os materiais disponíveis na época da construção, há cinco anos.

Para montar o esqueleto da residência, ela optou por usar estruturas metálicas, que geram menos resíduos que os pilares de concreto. “A estrutura metálica também é um sistema de sustentabilidade, pois evita o desperdício de material. Além de deixar a obra mais rápida”, explica a arquiteta. Pouca alvenaria foi utilizada, e muitas paredes são de vidro. “É uma obra limpa”, diz Consuelo.

Para manter a temperatura agradável no interior da casa, as janelas foram posicionadas de maneira a facilitar a circulação do ar, criando ventilação cruzada. O telhado é formado por uma superfície externa de alumínio e uma camada interna de lã de rocha, material que funciona como isolante térmico e acústico. A proteção ainda é reforçada pelo gesso que faz o acabamento do teto e ajuda a preservar o conforto térmico.

O único ar-condicionado eletrônico está instalado no quarto do casal – e, diz Consuelo, o aparelho está acumulando poeira por falta de uso. Para refrescar os ambientes, ela desenvolveu um sistema ecológico que leva o ar fresco de fora para dentro da residência.

Para explicar o funcionamento desse ar condicionado ecológico, Consuelo o compara a uma cachoeira. O ar que circunda a cascata construída do lado de fora da casa é filtrado e resfriado. Depois, é conduzido à sala por uma tubulação que passa por baixo do espelho d’água da fonte. Um ventilador no final dessa tubulação joga o ar , no interior da residência — em geral, 2°C a 5°C menor que a temperatura ambiente.

O aquecedor também é ecológico. Foi desenvolvido ao redor da lareira: o ar entra na câmara que a envolve, é aquecido pela chaminé, e devolvido por um motor com ventilação.

Ainda para diminuir o consumo de energia, Consuelo Jorge instalou dimerizadores em todas as lâmpadas da casa, deixando-as em baixa voltagem. Para não esquecer nenhuma delas acesa antes de dormir, colocou um interruptor na cabeceira da cama que apaga todas as luzes da residência. Uma ideia simples e muito prática.

A preocupação com o melhor aproveitamento dos recursos naturais levou Consuelo e seu marido a desenvolverem sistemas de reutilização da água. A dos chuveiros (aquecida por painéis solares), a das pias de lavabos e da máquina de lavar roupas é reutilizada nos vasos sanitários: ela é conduzida a caixas d’água sob o deque da casa, onde é filtrada, clorada, desinfetada e bombeada para um reservatório.

A água da chuva também é aproveitada. Como os primeiros minutos de chuva têm o pH mais elevado e levam a sujeira do telhado para o reservatório – e essas impurezas prejudicariam os tanques usados no tratamento da água – Sérgio Cordeiro calculou quantos litros deveriam ser descartados. Assim, construiu uma caixa que acumula apenas a água da chuva que chega mais limpa e pode ser tratada e reutilizada nos jardins.

Consuelo comenta que na época, há cinco anos, era mais difícil encontrar soluções ecológicas para a casa, mas que isso está mudando. “Acho que as pessoas não fazem construções ecológicas por falta de informação”, diz. E, apesar de a obra ter um custo mais alto, seus cálculos demonstram que o investimento inicial retornou em contas mais baixas e foi compensado nesses cinco anos. “Acho que é uma questão de consciência. Mas a nova geração já está mais preocupada. Minha filha de três anos, por exemplo, fica chocada quando vê alguém desperdiçando água”.

 

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